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Blog para compartilhar conhecimento, bons livros, reflexões e aprendizados

Conteúdo para quem procura ter uma vida mais produtiva, criativa e intencional

  • 10 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Na faculdade, costumávamos jogar poker nas noites de sexta-feira. Era a época do boom do jogo, e todo mundo queria aprender. Eu já me aventurava no online, mas muitos amigos ainda estavam dando os primeiros passos.


Uma das minhas diversões era tentar adivinhar as cartas dos meus oponentes quando chegávamos ao heads-up. Muitas vezes eu dizia a mão deles antes mesmo de mostrarem. A reação era sempre a mesma: um olhar de espanto, como se eles tivessem presenciado um truque de mágica.


Lembro de uma mão até hoje: o oponente deu raise no turn e eu respondi: “Reraise, porque acho que esse seu Ás e Cinco de ouro já perdeu essa mão.” O olho dele arregalou. “Como assim? Como você sabe?”. Ele fugiu, e eu puxei o pote — mesmo tendo uma mão pior.



No começo, o poker se resume a decorar a ordem dos jogos e entender as probabilidades. O iniciante olha apenas para a própria mão e para as cartas da mesa.


Mas a verdadeira beleza do poker aparece quando você percebe que poker não é só um jogo de probabilidades, mas é um jogo de expectativas. Quando você deixa de jogar apenas as suas cartas e passa a jogar também a “mente” do oponente.


Como funciona a mágica?


O jogador experiente sempre coloca o adversário em um range de mãos possíveis desde o início do jogo. A cada carta virada, uma nova informação restringe esse range:

  • Quanto ele apostou em relação ao pote?

  • Como essa aposta se compara com a anterior?

  • Qual foi sua reação à carta do turn ou do river?

  • Que tipo de jogo ele pode estar construindo?

  • Que carta futura o assusta — ou o favorece?


Só depois de juntar todas essas pistas ele volta para a própria mão. E, às vezes, nem precisa dela para jogar: basta fazer o oponente acreditar que está perdendo.


No poker, chamamos isso de metagame.


Nos investimentos, Howard Marks chama de pensamento de segundo nível.



Em seu livro O Mais Importante para o Investidor, Marks escreve:


“Uma vez que outros investidores podem ser inteligentes, bem informados e altamente informatizados,é preciso encontrar alguma vantagem que eles não tenham, pensar em algo a que eles não se ativeram, ver coisas que eles não conseguiram enxergar ou perceber o que eles não perceberam. É preciso reagir e se comportar de maneira diferente.


O pensamento de primeiro nível é simplista, superficial e comum a quase todas as pessoas. “O cenário da empresa é favorável e, por isso, as ações vão subir.”


O pensamento de segundo nível é profundo e complexo. O pensamento deste nível leva muitas coisas em conta:

Qual é a gama de prováveis resultados futuros?

Que resultado eu acho que vai ocorrer?

Qual é a probabilidade de eu estar certo?

Qual é o consenso?

Em que aspectos minha expectativa difere do consenso?

Como o preço atual do ativo se comporta com base na visão consensual do futuro? E na minha visão?

A psicologia de consenso que está incorporada ao preço é muito otimista ou pessimista?

O que acontecerá com o preço do ativo se o consenso estiver certo? E se estiver errado?


Pensadores de primeiro nível buscam fórmulas simples e respostas fáceis. Os de segundo nível sabem que investir bem é a antítese da simplicidade.”



Assim como no poker, investir - especialmente em ações - também é um jogo de expectativas.


Existem inúmeras técnicas de valuation para estimar um preço justo. Mas isso é olhar apenas para a própria mão.


Não adianta muito encontrar um “preço justo” sem entender o que o mercado espera. Uma ação pode ficar meses e até anos longe desse valor. O mercado pode permanecer irracional por mais tempo do que gostaríamos.


Como diz Michael Mauboussin:

“Quando você negocia em mercados, não basta ter sua própria visão; você precisa considerar o que as outras pessoas pensam.”

Mas pensar no segundo nível é difícil. Não é ciência exata.


Exige pensamento crítico sobre nossas teses e sobre o que o mercado está precificando. 


Como aprendi no poker, conseguir desenvolver essas habilidades, precisamos de 3 coisas:


  1. Entender que jogo estamos jogando (espero que o post tenha ajudado com isso);


  2. Um processo de decisão que faça você refletir sobre as expectativas e as narrativas do oponente (ou do mercado) - e não apenas as suas cartas;


  3. Treino (e paciência). Não existe atalho. Você só melhora através de muita tentativa e erro, depois de muito tempo de jogo.


Nas palavras de um dos maiores investidores de todos os tempos, Charlie Munger: 

“Não é para ser fácil, é tolo quem acha que é.”

Mas quando você chega no nível de “enxergar” a carta do oponente, começa a jogar o jogo de verdade. Começa a dominar a arte. Aos olhos dos outros, vai parecer mágica.


E essa é a beleza do poker — e dos investimentos.



Esse é uma parte de um capítulo do livro que eu estou escrevendo.


Se você gostou do conteúdo, compartilhe a publicação e deixe o seu curtir para eu saber se continuo divulgando alguns trechos do livro antes da publicação.



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  • 3 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Se você já subiu no alto de uma montanha e parou para olhar a paisagem lá de cima, sabe exatamente a sensação. Um momento de paz interior, que é difícil descrever.



A natureza tem esse poder. Há algo especial quando estamos diante de algo tão vasto e grandioso. Eu chamo isso de momento de insignificância.


Ali, percebemos que somos minúsculos diante de paisagens que levaram milhões de anos para existir e que continuarão ali muito depois de nós. Nossa existência é praticamente insignificante.


À primeira vista, essa consciência pode parecer triste. Mas, se olharmos com atenção, ela é libertadora.


Porque, se somos apenas um ponto nesse imenso cenário, então:

  • pouco importa se você tentar algo novo e falhar;

  • pouco importa a opinião de quem não está no jogo com você;

  • pouco importam bens, status ou metas que você persegue apenas para impressionar;

  • pouco importa até mesmo qual será o “grande legado” que você deixará.


Como escreveu Marco Aurélio:

“Tudo é efêmero, tanto que lembra, como aquele que é lembrado.”

Esse pensamento não precisa gerar angústia. Pelo contrário: pode trazer clareza.


Se tudo é finito, então não faz sentido viver tentando atender expectativas que não são suas. Não faz sentido carregar ansiedades que só existem porque esquecemos que a vida é curta e frágil demais para ser desperdiçada com o que não importa.


Em uma linguagem mais moderna, Mark Manson escreve em seu livro “A sutil arte de ligar o f*da-se”: Estar pouco se fudendo para tudo é alcançar um estado quase espiritual de aceitação da efemeridade da própria existência.


E quando aceitamos isso, ganhamos espaço para viver de forma mais leve, mais verdadeira e mais alinhada com quem queremos ser.


Foque em evoluir como pessoa. Em se tornar alguém um pouco melhor a cada dia.


Arrisque um caminho que realmente te faça feliz. Não tenha medo de tentar e falhar.


E ajude quem estiver ao seu redor. Porque, no fim, são essas pequenas ações que dão sentido ao pouco tempo que temos aqui.


E, de tempos em tempos, suba uma montanha e sinta o momento de insignificância.


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  • 12 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Ao abrir os olhos, Arianna percebeu que estava no chão do escritório, ao lado de uma poça de sangue.



Arianna Huffington era o retrato do sucesso: economista formada em Cambridge, comentarista política, e fundadora do The Huffington Post, um dos maiores sites de notícias do mundo.


Para alcançar tudo isso, ela tinha um estilo frenético. Mandava e-mails às 3 da manhã e esperava respostas, dormia apenas quatro horas por noite e se gabava de conseguir passar dias sem dormir. Queria estar em todas as reuniões e até editar ela mesma alguns textos. Era imparável.


Até o dia em que, do nada, parou.


Em 2007, desmaiou no próprio escritório por puro esgotamento. Bateu a cabeça na mesa e, por sorte, não sofreu nada mais grave. Apenas um osso do rosto quebrado e um olho roxo.


“Eu acreditava que sucesso era trabalhar até cair. Literalmente, eu caí. E percebi que estava seguindo um modelo de sucesso que não era sustentável.”

O ponto de virada


A inércia é uma força poderosa. Entramos no jogo e aprendemos a jogar tão bem que esquecemos de parar e refletir se realmente é o jogo que queríamos estar jogando.


Arianna estava vencendo o jogo corporativo: sucesso, poder, dinheiro e status. Mas o acidente fez com que ela repensasse o conceito de sucesso.


“Eu percebi que havia dois pilares do sucesso: dinheiro e poder. Mas eles não bastam. Precisamos de um terceiro pilar: bem-estar, sabedoria e propósito.”

O The Huffington Post foi vendido à AOL por US$ 315 milhões, e Arianna fundou uma nova empresa: a Thrive Global, criada com o propósito de acabar com o mito de que o burnout é o preço do sucesso.


Seu objetivo passou a ser ajudar empresas e pessoas a não repetirem os erros que ela mesma cometeu.


Precisamos bater com a cara no chão?


É curioso, mas o ponto de virada de muitas pessoas acontece apenas depois de um acidente ou uma crise profunda.


Somente depois de bater a cabeça e acordar com sangue no chão, é que Arianna percebeu que estava trilhando um caminho insustentável e repensou o seu propósito.


Para mim, existem 3 momentos na vida onde esse tipo de decisão acontece:

  1. Após um acidente que faz você perceber que a vida é curta;

  2. No leito de morte, quando já é tarde depois para tentar mudar;

  3. Quando você aprende a parar e refletir sobre suas verdadeiras prioridades;


Dentre os três, não precisamos ser um gênio para saber qual é o melhor. 


Você não precisa desmaiar no escritório para repensar o que está fazendo com a sua vida. Você não deve esperar o fim dela para se arrepender do que deixou de fazer.


Como disse o lendário investidor Charlie Munger: “Tudo o que eu quero saber é onde vou morrer, para nunca ir lá.”


Se sabemos quais caminhos levam ao arrependimento, o mais inteligente é evitá-los.


Reflita sobre o caminho que está seguindo e se chegar a conclusão que precisa mudar. Comece a preparar a sua mudança na direção que deseja ir. 


Vai dar preguiça, pode dar muito trabalho, vai ser desconfortável. Mas comece dando passos pequenos e buscando uma solução.


Porque não precisamos cair com a cara no chão.

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